terra e território

O povo organizado transforma a história! O ciclo 2026 • 2027 se abre em um cenário de reorganização profunda das forças políticas e econômicas no Brasil e no mundo. A disputa pelos territórios, pelos bens comuns, pela soberania nacional e pelos sentidos da democracia se torna cada vez mais aberta. O que está em jogo atravessa as eleições, o Congresso Nacional, os tribunais, as políticas climáticas, a comunicação digital, os fluxos de financiamento e a própria capacidade dos povos e movimentos populares de projetarem um plano de país. A conjuntura internacional aponta para uma nova etapa de instabilidade. A retomada do governo Trump nos Estados Unidos reorganiza a política externa norte-americana a partir de uma lógica mais agressiva , que enfraquece organismos internacionais e o multilateralismo para ampliar dinâmicas de pressão comercial, disputa tecnológica e uso do poder econômico e militar como instrumento de coerção. Essa orientação recoloca a América

Entre 1º e 24 de setembro, o Amazonas registrou mais de 3.200 focos de calor, um aumento de cerca de 250% em relação ao mesmo período de 2025. No dia 22, Manaus chegou aos 38,6°C e bateu o recorde sufocante de temperatura, em 2026. Nos dias 23 e 24, a qualidade do ar chegou a níveis “péssimo” e “muito insalubre”. E nós somos obrigados a respirar e viver mais esse sufoco. ESSA FUMAÇA TEM ORIGEM Grande parte dos focos de calor está em municípios como Novo Aripuanã, Lábrea e Apuí, no sul do Amazonas, região pressionada pelo avanço do desmatamento. Mas a fumaça que sufoca Manaus vem de diferentes frentes. Ela também tem origem em queimadas na Região Metropolitana, como em Iranduba, e em incêndios dentro da cidade. Nos últimos dias, houve registros de incêndios em diferentes pontos da capital, como Parque das Tribos, São Raimundo e áreas próximas à

Projeto conecta comunicação popular e clima em ciclo formativo para fortalecer a defesa territorial de comunidades do Pantanal, Cerrado e da Amazônia mato-grossenses. O Fórum Popular Socioambiental de Mato Grosso (FORMAD) iniciou, no primeiro semestre de 2026, um ciclo formativo em comunicação popular com enfoque nas questões climáticas. O projeto ‘Núcleo Clima em Rede’ é uma iniciativa inédita do Fórum e reúne organizações, comunidades, comunicadores dos territórios, lideranças, estudantes universitários e apoiadores. As ações foram iniciadas em abril, com previsão de conclusão até setembro de 2026. Com apoio do Instituto Clima e Sociedade (iCS)e Misereor, o projeto tem como horizonte, neste primeiro ciclo de seis meses, contribuir para a construção do Núcleo de Comunicação Popular do FORMAD. A proposta busca ampliar a capacidade da rede de fortalecer as lutas das organizações que integram o Fórum e atuam em territórios dos biomas Pantanal, Amazônia e Cerrado, em Mato Grosso. Nesta primeira

A reorganização do setor elétrico brasileiro mostra que a eletricidade hoje responde menos à produção do que à remuneração do capital e aos interesses dos grandes agentes Por Midori Hamada Este texto é a segunda parte do artigo “A transição energética sob controle do mercado”, organizado em dois textos que denunciam as violências estruturais do setor elétrico brasileiro. Depois de ler “Quando a tarifa vale mais que a energia”, leia também “A culpa nos telhados” Este texto foi publicado originalmente em Le Monde Diplomatique O debate sobre energia no Brasil costuma ser organizado em torno de uma imagem recorrente de um setor movido pela produção e pela oferta, sustentado pela ideia de segurança no abastecimento. A eletricidade apareceria, assim, como problema técnico de geração, transmissão, distribuição e equilíbrio do sistema. Essa imagem nunca é inteiramente falsa. Mas ela é pequena demais para explicar o que hoje move o setor elétrico

Como a geração distribuída de energia virou promessa de autonomia e explicação conveniente para os impasses do sistema elétrico brasileiro Por Midori Hamada Este texto é a primeira parte do artigo “A transição energética sob controle do mercado”, organizado em dois textos que denunciam as violências estruturais do setor elétrico brasileiro. Depois de ler “A culpa nos telhados”, leia também “Quando a tarifa vale mais que a energia”. Este texto foi publicado originalmente em Le Monde Diplomatique O Brasil costuma ser apresentado por governos, empresas do setor elétrico, organismos internacionais, parte da academia e agentes do mercado financeiro como uma promessa energética global. Um país de rios extensos, sol abundante, ventos constantes e uma matriz elétrica que, vista de fora, parece antecipar o futuro. Em tempos de crise climática, essa imagem tem força. Ela sugere um país em posição privilegiada para conduzir uma transição energética em grande escala, combinando renováveis,

Reforçamos, neste 13 de maio, a denúncia da CPT sobre o aumento dos registros de trabalho escravo no Brasil, enquanto as operações de combate a esse crime enfrentam paralisia. Neste 13 de maio, a memória da luta contra a escravidão encontra uma denúncia urgente do presente. Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), só em 2025, mais de 3 mil pessoas foram encontradas em condições análogas à escravidão no Brasil. Com isso, o número de pessoas escravizadas nos últimos quatro anos ultrapassa 11,5 mil. Desse total, 78% eram trabalhadores e trabalhadoras rurais. A pastoral também alerta para a paralisia das operações de combate ao trabalho escravo, que deixa sem atendimento muitas pessoas submetidas a essa violência. É a partir dessa realidade que o 13 de maio precisa ser lido. Em 1888, a Lei Áurea declarou extinta a escravidão no Brasil, mas a memória dessa data vai muito além da assinatura

caminhos construídos na Jornada de Comunicação Popular e no Circuito Proteja Trilhas para Futuros é um registro vivo de uma caminhada construída junto a movimentos e organizações sociais que atuam na luta por terra e território. Nessa publicação reunimos parte do percurso que trilhamos entre 2023 e 2025, conectando experiências que fortalecem a comunicação popular, a cultura e o clima como dimensões de uma mesma prática política. Esses caminhos se articulam na organização coletiva das lutas, na afirmação dos modos de vida nos territórios e na disputa de futuro diante das crises que atravessam nosso tempo. Esse caminho ganhou forma a partir da Jornada de Comunicação Popular e do Circuito Proteja. Ao longo desse período, apoiamos encontros, planejamentos, campanhas, formações e ações de mobilização em diferentes territórios. O material compartilha aprendizados que nasceram da prática e da troca com quem está na linha de frente das lutas e são nossas

Relatório inédito da APIB revela como empresas, investidores e governos internacionais atuam junto a políticos e ao sistema de justiça no Brasil para abrir terras indígenas à mineração. Por Midori Hamada Há conflitos que dizem respeito a um país. Outros revelam um tempo histórico. A disputa em torno da mineração em terras indígenas no Brasil se insere nesse segundo caso. O que está em jogo vai além de uma uma controvérsia entre crescimento econômico e ações de proteção dos direitos territoriais e do meio ambiente. Trata-se da possibilidade de que a transição energética global, apresentada como resposta à crise climática, se converta em justificativa para uma nova rodada de roubos e invasões territoriais, agora revestida de linguagem técnica, alinhada com ambição geopolítica e promessas de futuro. No Brasil, essa mudança já aparece com força. Impulsionada pela corrida por minerais como lítio, níquel, cobre, cobalto e terras raras, usados em baterias,

Filme lançado no ATL 2026 transforma ficção em alerta sobre soberania e futuro O que acontece quando um país perde o controle sobre o próprio território? A pergunta é um dos pontos de partida do curta-metragem ‘Vitória Régia’. A resposta para essa pergunta é retratada em forma de ficção, mas com elementos que dialogam com o presente de forma direta. Lançado durante o Acampamento Terra Livre de 2026, o filme foi construído pelo Coletivo Zero em articulação com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e o G9 da Amazônia Indígena, uma coalizão internacional formada por lideranças dos nove países amazônicos. A obra apresenta um Brasil sob ditadura após um golpe de Estado. Nesse cenário, a Amazônia passa ao controle de interesses estrangeiros e recebe o nome de “Amazon of America”. A narrativa acompanha uma jornalista que atravessa a floresta

O protagonismo das mulheres e da comunicação popular indígena nas recentes vitórias sociais no Pará carrega a memória da Cabanagem e fortalece o sentido da mobilização política no Brasil. por Caio Mota No dia 23 de fevereiro deste ano, depois de 33 dias de intensa mobilização no oeste do Pará e de articulações que chegaram até Brasília, a pressão dos povos indígenas levou à derrubada do decreto federal que abria caminho para a privatização dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins. O presidente Lula anulou a medida e a decisão foi comunicada pela ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, e pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, após esse ciclo de mobilizações do movimento indígena. O governo reconheceu o erro de ter tomado uma decisão de grande impacto socioambiental sem promover debate público e, sobretudo, sem consultar as populações diretamente afetadas, como estabelece a Convenção 169 da Organização