28/05/2026

A reorganização do setor elétrico brasileiro mostra que a eletricidade hoje responde menos à produção do que à remuneração do capital e aos interesses dos grandes agentes Por Midori Hamada Este texto é a segunda parte do artigo “A transição energética sob controle do mercado”, organizado em dois textos que denunciam as violências estruturais do setor elétrico brasileiro. Depois de ler “Quando a tarifa vale mais que a energia”, leia também “A culpa nos telhados” Este texto foi publicado originalmente em Le Monde Diplomatique O debate sobre energia no Brasil costuma ser organizado em torno de uma imagem recorrente de um setor movido pela produção e pela oferta, sustentado pela ideia de segurança no abastecimento. A eletricidade apareceria, assim, como problema técnico de geração, transmissão, distribuição e equilíbrio do sistema. Essa imagem nunca é inteiramente falsa. Mas ela é pequena demais para explicar o que hoje move o setor elétrico

Como a geração distribuída de energia virou promessa de autonomia e explicação conveniente para os impasses do sistema elétrico brasileiro Por Midori Hamada Este texto é a primeira parte do artigo “A transição energética sob controle do mercado”, organizado em dois textos que denunciam as violências estruturais do setor elétrico brasileiro. Depois de ler “A culpa nos telhados”, leia também “Quando a tarifa vale mais que a energia”. Este texto foi publicado originalmente em Le Monde Diplomatique O Brasil costuma ser apresentado por governos, empresas do setor elétrico, organismos internacionais, parte da academia e agentes do mercado financeiro como uma promessa energética global. Um país de rios extensos, sol abundante, ventos constantes e uma matriz elétrica que, vista de fora, parece antecipar o futuro. Em tempos de crise climática, essa imagem tem força. Ela sugere um país em posição privilegiada para conduzir uma transição energética em grande escala, combinando renováveis,