Relatório inédito da APIB revela como empresas, investidores e governos internacionais atuam junto a políticos e ao sistema de justiça no Brasil para abrir terras indígenas à mineração. Por Midori Hamada Há conflitos que dizem respeito a um país. Outros revelam um tempo histórico. A disputa em torno da mineração em terras indígenas no Brasil se insere nesse segundo caso. O que está em jogo vai além de uma uma controvérsia entre crescimento econômico e ações de proteção dos direitos territoriais e do meio ambiente. Trata-se da possibilidade de que a transição energética global, apresentada como resposta à crise climática, se converta em justificativa para uma nova rodada de roubos e invasões territoriais, agora revestida de linguagem técnica, alinhada com ambição geopolítica e promessas de futuro. No Brasil, essa mudança já aparece com força. Impulsionada pela corrida por minerais como lítio, níquel, cobre, cobalto e terras raras, usados em baterias,
Filme lançado no ATL 2026 transforma ficção em alerta sobre soberania e futuro O que acontece quando um país perde o controle sobre o próprio território? A pergunta é um dos pontos de partida do curta-metragem ‘Vitória Régia’. A resposta para essa pergunta é retratada em forma de ficção, mas com elementos que dialogam com o presente de forma direta. Lançado durante o Acampamento Terra Livre de 2026, o filme foi construído pelo Coletivo Zero em articulação com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e o G9 da Amazônia Indígena, uma coalizão internacional formada por lideranças dos nove países amazônicos. A obra apresenta um Brasil sob ditadura após um golpe de Estado. Nesse cenário, a Amazônia passa ao controle de interesses estrangeiros e recebe o nome de “Amazon of America”. A narrativa acompanha uma jornalista que atravessa a floresta
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