momento de atividade na plenária plenária do Acampamento Terra Livre 2023
foto: @than.pataxo

Protagonismo indígena em movimento

compartilhe esta postagem

Fortalecendo a comunicação das mobilizações da APIB

Em 2023, no 19º ATL, vivenciamos um momento histórico: pela primeira vez desde sua criação em 2004, a cobertura do acampamento foi liderada por comunicadores indígenas, indicados pelas sete organizações regionais que compõem a APIB. Foi a concretização de uma etapa da COMunidade, colocando em prática uma comunicação pensada e conduzida a partir dos territórios, por quem vive e constrói a luta.

Em preparação ao 13º ATL realizamos, como uma etapa da Jornada de Comunicação Popular, uma formação coletiva e um planejamento nacional para garantir alinhamento político e organizativo entre as diversas frentes da comunicação. A experiência fortaleceu o ritmo e a sensibilidade da cobertura, agora feita pelas mesmas pessoas que vivem a realidade dos territórios. Essa organização liderada pela APIB foi feita sem abrir mão da estratégia já consolidada da cobertura colaborativa, que envolve comunicadores indígenas e não indígenas de diferentes partes do Brasil, independentemente de vínculos diretos com a APIB ou suas organizações regionais.

Durante o encontro formativo, reunimos a COMunidade APIB em Brasília para montar o plano de comunicação do ATL 2023. A proposta central era realizar a coordenação da comunicação de forma colegiada, com cada uma das sete organizações regionais indicando dois pontos focais para compor a equipe de cobertura. Foi esse grupo que organizou e produziu os conteúdos para atender às demandas políticas da coordenação da APIB e das organizações regionais. A cobertura colaborativa, com comunicadores de diferentes origens, passou a ser orientada também por essa equipe, assim como o atendimento à imprensa, ambos organizados de maneira integrada e coletiva. Eram os indígenas quem coordenavam e orientavam todas as frentes de comunicação do ATL.

Naquele contexto, o ATL 2023 foi compreendido como uma ação estratégica para impulsionar a COMunidade. Sendo a maior mobilização indígena do Brasil, organizada pelas próprias bases da APIB, era fundamental que sua cobertura de comunicação também refletisse essa estrutura. A decisão política de envolver diretamente os comunicadores indígenas das organizações regionais fortaleceu a governança indígena e alinhou ainda mais as estratégias de incidência previstas para o ATL.

A coordenação da comunicação do ATL 2023 foi organizada de forma colegiada, com quatro frentes: Coordenação Geral, Coordenação de Imprensa, Coordenação da Cobertura Colaborativa e Coordenação Metodológica. A equipe foi composta por 34 pessoas, distribuídas entre as áreas de fotografia, audiovisual, edição de vídeo, redes sociais, design, assessoria de imprensa, transmissão, site, sistematização de banco de imagens, credenciamento de imprensa e cobertura colaborativa, além das frentes de metodologia e facilitação das atividades prévias.

Esse modelo foi fortalecido em 2024, com a consolidação da COMunidade no segundo planejamento de comunicação da APIB, realizado em outubro de 2023, como já abordamos neste capítulo. A COMunidade se consolidou como um campo de governança comunicacional, garantindo trocas constantes com alinhamento político e valorização da comunicação como parte essencial da estratégia do movimento, inclusive no ATL.

Ainda dentro do processo do ATL, destacamos nosso apoio à recém criada Comissão da Trajetória, pensada como parte viva do plano de comunicação. Ações que conectamos à Jornada para organizar processos da nossa metodologia, junto com as ações da APIB. Para nós, planejar é também disputar a memória, e fazer dela um território de luta. Entre fevereiro e abril de 2024, esse trabalho floresceu com lideranças e comunicadores reunidos para construir a Exposição dos 20 anos do ATL. Cada imagem e texto partem da escolha política tecida em coletivo, com o cuidado de quem entende que o passado é uma semente.

Logo após o ATL de 2024, encerramos nosso ciclo como equipe de comunicação da APIB. Deixamos o espaço interno da coordenação para que fosse assumido exclusivamente por três comunicadores indígenas, que seguiram à frente do departamento. A transição foi construída com o cuidado do tempo e confiança, sem imposições de cima para baixo. Lado a lado, com as pessoas com quem caminhamos ao longo dessa trajetória.

Ações mais recentes

Encontro nacional fortalece articulação de referências para o jornalismo no Brasil Entre os dias 26 de abril e 1º de maio de 2024, foi realizado o primeiro Encontro Nacional de Indígenas Jornalistas, organizado pela Articulação Brasileira de Indígenas Jornalistas (Abrinjor).

Construindo a estratégia da COAPIMA para fortalecer mobilizações e dar força à voz dos povos indígenas do Maranhão O ano de 2025 marcou um passo importante para a Coordenação das Organizações e Articulações dos Povos Indígenas do Maranhão (COAPIMA). Pela

Indígenas Mulheres organizam a palavra e conduzem a narrativa das mobilizações A comunicação de uma mobilização começa muito antes da ação na rua. Ela inicia quando os territórios decidem que vão se mover, e se movem. Planejar a comunicação de