aprendizagem

Projeto conecta comunicação popular e clima em ciclo formativo para fortalecer a defesa territorial de comunidades do Pantanal, Cerrado e da Amazônia mato-grossenses. O Fórum Popular Socioambiental de Mato Grosso (FORMAD) iniciou, no primeiro semestre de 2026, um ciclo formativo em comunicação popular com enfoque nas questões climáticas. O projeto ‘Núcleo Clima em Rede’ é uma iniciativa inédita do Fórum e reúne organizações, comunidades, comunicadores dos territórios, lideranças, estudantes universitários e apoiadores. As ações foram iniciadas em abril, com previsão de conclusão até setembro de 2026. Com apoio do Instituto Clima e Sociedade (iCS)e Misereor, o projeto tem como horizonte, neste primeiro ciclo de seis meses, contribuir para a construção do Núcleo de Comunicação Popular do FORMAD. A proposta busca ampliar a capacidade da rede de fortalecer as lutas das organizações que integram o Fórum e atuam em territórios dos biomas Pantanal, Amazônia e Cerrado, em Mato Grosso. Nesta primeira

caminhos construídos na Jornada de Comunicação Popular e no Circuito Proteja Trilhas para Futuros é um registro vivo de uma caminhada construída junto a movimentos e organizações sociais que atuam na luta por terra e território. Nessa publicação reunimos parte do percurso que trilhamos entre 2023 e 2025, conectando experiências que fortalecem a comunicação popular, a cultura e o clima como dimensões de uma mesma prática política. Esses caminhos se articulam na organização coletiva das lutas, na afirmação dos modos de vida nos territórios e na disputa de futuro diante das crises que atravessam nosso tempo. Esse caminho ganhou forma a partir da Jornada de Comunicação Popular e do Circuito Proteja. Ao longo desse período, apoiamos encontros, planejamentos, campanhas, formações e ações de mobilização em diferentes territórios. O material compartilha aprendizados que nasceram da prática e da troca com quem está na linha de frente das lutas e são nossas

A Proteja nasce em 2015, em meio a um cenário marcado por emergências, violações e disputas profundas sobre a terra e os modos de vida. Desde o início, nossa caminhada se constrói em diálogo direto com os territórios. Entendemos que as emergências não surgem por acaso. Elas expressam um sistema que transforma a vida em mercadoria, concentra poder e insiste em chamar destruição de progresso. Esse sistema capitalista tem raízes coloniais, racistas e patriarcais, que seguem produzindo violência no campo e nas cidades. Ao longo desses dez anos, atravessamos diferentes contextos políticos, crises institucionais e o avanço de projetos que ameaçam bens comuns e modos de vida. Foi nesse cenário que fortalecemos nossa forma de atuar, com a certeza de que proteger é um ato político. Proteger significa fortalecer a organização coletiva, ampliar a autonomia dos povos e consolidar redes de solidariedade que sustentam a luta no cotidiano. Nossa atuação

Fortalecendo o Encontro de Comunicação das CPTs da Amazônia. Desde 2017, a parceria entre a Proteja e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) vem sendo construída com base na escuta, no aprendizado e no compromisso com a luta por terra e dignidade. Essa relação começou em um contexto duro, o Massacre de Colniza, e desde então, consolidou-se como um espaço de confiança e construção coletiva entre quem comunica e quem resiste. Em março de 2023, essa caminhada chegou a Santarém, no território indígena Borari, em Alter do Chão, com o primeiro Encontro de Comunicação das CPTs da Amazônia, onde conectamos nossa ação da Jornada de Comunicação Popular da Proteja. Reunindo coordenadores e comunicadores de oito regionais da CPT amazônica, o encontro “Unindo Vozes e Tecendo Redes Amazônidas” foi um marco para repensar o papel da comunicação popular nas lutas sociais na região. Os dias 16 e 19 de março, foram

A sabedoria e resiliência das comunidades locais, povos indígenas e quilombolas devem ser nosso guia! A crise climática não é uma ameaça distante, mas uma realidade que já afeta a vida de milhões de pessoas. Enchentes, secas, queimadas e outros desastres se repetem e escancaram a urgência de enfrentar esse desafio. Os mais impactados são sempre os que menos contribuem para o agravamento da crise: povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e periféricas. Populações que há séculos resistem ao avanço de um sistema colonialista e desigual, e que seguem sendo excluídas dos espaços de decisão sobre o futuro do planeta. Esses povos são guardiões de práticas e saberes fundamentais para a proteção da terra, das águas e da vida. São eles que demonstram, com sua própria existência, caminhos para adaptação e mitigação da crise climática. Ignorar essas vozes é perpetuar o colonialismo. Não existe justiça climática sem o enfrentamento às desigualdades

O processo de fortalecimento da Dace na gestão do território Munduruku. A relação da Proteja com a Associação Indígena Dace nasce do compromisso comum com a defesa do território Munduruku no Baixo Teles Pires. Desde 2015, acompanhamos de perto a luta do povo Munduruku contra hidrelétricas, invasões e violações que atingem diretamente suas vidas, seus bens sagrados e seus modos de existir. Ao longo desses anos, construímos uma parceria baseada em confiança e presença contínua, sempre com a intenção de fortalecer a autonomia da Dace e ampliar sua capacidade organizativa. Em 2023, a Dace expressou o desejo de avançar em sua própria estrutura de gestão, buscando mais autonomia para conduzir projetos, organizar demandas internas e planejar o futuro da associação. A partir desse interesse, apoiamos a elaboração e captação do projeto de Fortalecimento Institucional, financiado pelo Fundo Casa e pela Embaixada da Noruega. A proposta foi pensada para fortalecer a

Comunicação popular com mão na terra! A Jornada de Comunicação Popular faz parte da nossa trajetória de mais de uma década de lutas, com a comunicação popular como prática central dessa construção. Ao longo da nossa caminhada, desenvolvemos planos de comunicação e processos de planejamento junto a movimentos e grupos sociais. Com essas experiências, fomos consolidando uma forma própria de organizar a comunicação como elo de fortalecimento político e organizacional. A partir de 2023, passamos a chamar de Jornada essa sequência de ações estratégicas em comunicação que vínhamos realizando desde 2015. A proposta parte da escuta das organizações, de suas realidades e necessidades, para apoiar a criação de estratégias conectadas ao projeto político de cada grupo. É uma prática que reúne formação política, troca entre gerações, fortalecimento interno e construção coletiva. Entre 2023 e 2024, realizamos onze encontros da Jornada, reunindo mais de 180 comunicadores populares de base e 92