caminhos construídos na Jornada de Comunicação Popular e no Circuito Proteja Trilhas para Futuros é um registro vivo de uma caminhada construída junto a movimentos e organizações sociais que atuam na luta por terra e território. Nessa publicação reunimos parte do percurso que trilhamos entre 2023 e 2025, conectando experiências que fortalecem a comunicação popular, a cultura e o clima como dimensões de uma mesma prática política. Esses caminhos se articulam na organização coletiva das lutas, na afirmação dos modos de vida nos territórios e na disputa de futuro diante das crises que atravessam nosso tempo. Esse caminho ganhou forma a partir da Jornada de Comunicação Popular e do Circuito Proteja. Ao longo desse período, apoiamos encontros, planejamentos, campanhas, formações e ações de mobilização em diferentes territórios. O material compartilha aprendizados que nasceram da prática e da troca com quem está na linha de frente das lutas e são nossas
Relatório inédito da APIB revela como empresas, investidores e governos internacionais atuam junto a políticos e ao sistema de justiça no Brasil para abrir terras indígenas à mineração. Por Midori Hamada Há conflitos que dizem respeito a um país. Outros revelam um tempo histórico. A disputa em torno da mineração em terras indígenas no Brasil se insere nesse segundo caso. O que está em jogo vai além de uma uma controvérsia entre crescimento econômico e ações de proteção dos direitos territoriais e do meio ambiente. Trata-se da possibilidade de que a transição energética global, apresentada como resposta à crise climática, se converta em justificativa para uma nova rodada de roubos e invasões territoriais, agora revestida de linguagem técnica, alinhada com ambição geopolítica e promessas de futuro. No Brasil, essa mudança já aparece com força. Impulsionada pela corrida por minerais como lítio, níquel, cobre, cobalto e terras raras, usados em baterias,
O protagonismo das mulheres e da comunicação popular indígena nas recentes vitórias sociais no Pará carrega a memória da Cabanagem e fortalece o sentido da mobilização política no Brasil. por Caio Mota No dia 23 de fevereiro deste ano, depois de 33 dias de intensa mobilização no oeste do Pará e de articulações que chegaram até Brasília, a pressão dos povos indígenas levou à derrubada do decreto federal que abria caminho para a privatização dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins. O presidente Lula anulou a medida e a decisão foi comunicada pela ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, e pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, após esse ciclo de mobilizações do movimento indígena. O governo reconheceu o erro de ter tomado uma decisão de grande impacto socioambiental sem promover debate público e, sobretudo, sem consultar as populações diretamente afetadas, como estabelece a Convenção 169 da Organização
Fortalecendo a comunicação das mobilizações da APIB Em 2023, no 19º ATL, vivenciamos um momento histórico: pela primeira vez desde sua criação em 2004, a cobertura do acampamento foi liderada por comunicadores indígenas, indicados pelas sete organizações regionais que compõem a APIB. Foi a concretização de uma etapa da COMunidade, colocando em prática uma comunicação pensada e conduzida a partir dos territórios, por quem vive e constrói a luta. Em preparação ao 13º ATL realizamos, como uma etapa da Jornada de Comunicação Popular, uma formação coletiva e um planejamento nacional para garantir alinhamento político e organizativo entre as diversas frentes da comunicação. A experiência fortaleceu o ritmo e a sensibilidade da cobertura, agora feita pelas mesmas pessoas que vivem a realidade dos territórios. Essa organização liderada pela APIB foi feita sem abrir mão da estratégia já consolidada da cobertura colaborativa, que envolve comunicadores indígenas e não indígenas de diferentes partes
Memórias do amanhã: A luta por territórios, clima e cultura que brota de SINOP O futuro é uma semente que se planta no presente, com as mãos da luta e solidariedade. Não precisa ser uma promessa distante. O Festival “O Futuro Se Faz em Luta” emergiu em outubro de 2025 no coração da Amazônia Mato-grossense como um ato político de resistência. Um chamado urgente para reunir as forças que, nos territórios, insistem em construir um amanhã possível frente à destruição do capitalismo com o agronegócio, as hidrelétricas, os grandes projetos de infraestrutura e do agravamento da crise climática. Sinop, um município que é epicentro dessa disputa, se transformou no palco fundamental dessa disputa de sociedade. Aqui, onde a fumaça das queimadas e do veneno sufocam e o lago da UHE Sinop escancara cicatrizes de um desenvolvimento que exclui, a mobilização popular se ergueu como ato de esperança. O festival foi
A Proteja nasce em 2015, em meio a um cenário marcado por emergências, violações e disputas profundas sobre a terra e os modos de vida. Desde o início, nossa caminhada se constrói em diálogo direto com os territórios. Entendemos que as emergências não surgem por acaso. Elas expressam um sistema que transforma a vida em mercadoria, concentra poder e insiste em chamar destruição de progresso. Esse sistema capitalista tem raízes coloniais, racistas e patriarcais, que seguem produzindo violência no campo e nas cidades. Ao longo desses dez anos, atravessamos diferentes contextos políticos, crises institucionais e o avanço de projetos que ameaçam bens comuns e modos de vida. Foi nesse cenário que fortalecemos nossa forma de atuar, com a certeza de que proteger é um ato político. Proteger significa fortalecer a organização coletiva, ampliar a autonomia dos povos e consolidar redes de solidariedade que sustentam a luta no cotidiano. Nossa atuação
UM GRITO PELO CLIMA O Amazonas vive o impacto cruel da crise climática. Secas severas comprometem a subsistência de comunidades inteiras, rios atingem níveis históricos de baixa, e a fumaça das queimadas torna o ar irrespirável. Em 2024, mais de 747 mil pessoas foram diretamente afetadas pela estiagem, com 24.700 pontos de queimadas registrados no estado. A cidade de Manaus sofre com níveis alarmantes de poluição e a ausência de políticas públicas que enfrentem essa realidade. Nós não esquecemos! Manaus foi o lugar que sufocou sem oxigênio. Durante a pandemia da Covid-19, vimos nossa gente morrer não pela falta de cura, mas pela falta de ar, pela negligência criminosa e pela ausência de políticas públicas. O Amazonas foi palco de um assassinato em massa. Não podemos enterrar essa memória. Precisamos lembrar para que jamais se repita, para que os responsáveis sejam punidos e para que nossos mortos tenham justiça. Adaptação
O mundo volta os olhos para o Brasil em 2025, afinal será a primeira vez que uma Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), será realizada na Amazônia. O local escolhido foi Belém (PA), e desde que o anúncio foi feito pelo Presidente Lula, diversos movimentos da sociedade civil têm se organizado para pressionar que suas participações não sejam meras figurativas e sim como parte da construção e decisão. A mesa da COP30 está posta, mas será que teremos uma virada nessa mesa? Botar fé, na linguagem da Amazônia, é sinônimo de acreditar. Mas quando falamos da COP 30, que é sediada na Amazônia em 2025, essa expressão nos convida a refletir profundamente. A Conferência das Partes (COP) é o principal encontro global da ONU sobre mudanças climáticas, onde líderes mundiais debatem ações para mitigar os impactos da crise climática e implementar os acordos climáticos internacionais, como o
Cultura na resposta da crise climática O Festival Até o Tucupi chegou à sua 18ª edição em 2024, consolidando-se como um dos mais importantes encontros de cultura e mobilização política na Amazônia. Realizado em Manaus entre 20 e 30 de novembro, o festival promoveu 27 atividades que reuniram 62 grupos e mobilizaram diretamente cerca de 10 mil pessoas, além de alcançar quase meio milhão nas redes sociais. Foram mais de 230 artistas e mobilizadores sociais envolvidos, reafirmando a cultura como ferramenta central na luta por justiça climática e social. A Proteja já havia somado em edições anteriores do festival com parcerias pontuais, mas em 2024, a convite da coordenadora Elisa Maia, do Coletivo Difusão, integrou de forma plena a co-realização da iniciativa. Nosso papel foi múltiplo. Mobilizar parcerias, articular recursos, elaborar a proposta política, colaborar na organização de equipes e curadorias, somar na produção e no desenvolvimento do site, além
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