A Proteja nasce em 2015, em meio a um cenário marcado por emergências, violações e disputas profundas sobre a terra e os modos de vida. Desde o início, nossa caminhada se constrói em diálogo direto com os territórios. Entendemos que as emergências não surgem por acaso. Elas expressam um sistema que transforma a vida em mercadoria, concentra poder e insiste em chamar destruição de progresso. Esse sistema capitalista tem raízes coloniais, racistas e patriarcais, que seguem produzindo violência no campo e nas cidades.
Ao longo desses dez anos, atravessamos diferentes contextos políticos, crises institucionais e o avanço de projetos que ameaçam bens comuns e modos de vida. Foi nesse cenário que fortalecemos nossa forma de atuar, com a certeza de que proteger é um ato político. Proteger significa fortalecer a organização coletiva, ampliar a autonomia dos povos e consolidar redes de solidariedade que sustentam a luta no cotidiano.
Nossa atuação começou na Amazônia e, com o tempo, se expandiu para outros biomas e regiões do Brasil. Caminhamos junto com movimentos sociais, associações, coletivos e organizações populares, sempre com a mão na terra da luta. Atuamos em frentes que se conectam e se fortalecem mutuamente, articulando comunicação, formação, mobilização e incidência a partir das realidades concretas dos territórios.
Não impomos caminhos. Construímos espaços de troca, aprendizado mútuo e construção coletiva.
Acreditamos que as respostas reais para a crise climática, social e política já existem. Elas vivem na demarcação das terras indígenas, na reforma agrária popular, nos territórios quilombolas e na sabedoria de quem cuida da terra porque é parte dela.
Nossa trajetória é alimentada por memórias de luta que seguem vivas: da Cabanagem às Ligas Camponesas, da Aliança dos Povos da Floresta às lutas antirracistas, indígenas e quilombolas, passando pelo compromisso internacionalista com povos que resistem à violência e à opressão.
Seguimos firmes, em solidariedade com quem transforma o mundo na prática. Em um tempo marcado pela aridez de ideias, pela covardia e pelo cinismo, continuamos afirmando uma certeza que nos move: o futuro se faz em luta.