Indígenas Mulheres organizam a palavra e conduzem a narrativa das mobilizações
A comunicação de uma mobilização começa muito antes da ação na rua. Ela inicia quando os territórios decidem que vão se mover, e se movem. Planejar a comunicação de um evento político, especialmente em contextos indígenas, exige articulação, escuta e construção coletiva com quem estará colocando o corpo na rua e a palavra no ar.
Foi com esse entendimento que, ao longo dos últimos anos, a Proteja atuou no apoio à comunicação de grandes mobilizações indígenas, com destaque para o Acampamento Terra Livre (ATL) e a Marcha das Indígenas Mulheres. Em ambos os casos, o compromisso foi o mesmo: garantir que a comunicação estivesse nas mãos dos próprios povos, com autonomia e estratégia.
Na Marcha das Indígenas Mulheres, a construção da comunicação também seguiu essa orientação política de metodologia que construímos junto à APIB. Em 2023, durante a terceira edição da mobilização, a Proteja colaborou com a ANMIGA na elaboração de um plano de comunicação inédito, parte da nossa jornada, que possibilitou, pela primeira vez, que a cobertura da Marcha fosse organizada e liderada exclusivamente por mulheres comunicadoras indígenas, vindas de todos os biomas do país e pertencentes à base de articulação da ANMIGA.
A proposta foi construída com base em nossa metodologia, que prevê a realização de um processo formativo prévio. Esse encontro reuniu 20 comunicadoras e lideranças da ANMIGA, com o objetivo de fortalecer a frente de comunicação da articulação, organizar e executar as demandas da III Marcha e promover o protagonismo político das mulheres indígenas. Foi também a primeira vez que a ANMIGA organizou uma formação nacional voltada a comunicadoras de todos os seis biomas brasileiros, reconhecendo nelas multiplicadoras em seus territórios e potenciais pontos focais para ações futuras.
A seleção dessas comunicadoras foi feita por um conselho de 27 lideranças da ANMIGA. Esse espaço coletivo estabeleceu os critérios e indicou, com cuidado político, as representantes de cada território e bioma para participar da formação. A ideia era garantir que as mulheres indígenas que estariam na linha de frente da cobertura estivessem alinhadas com as estratégias da articulação e preparadas para atuar em rede.
Essa experiência deixou evidente que o protagonismo indígena na comunicação das mobilizações não é apenas uma questão de representatividade, mas um projeto político. Fortalecer esse protagonismo exige estrutura, formação e cuidado com os processos.Nós da Proteja estamos comprometidos com essa construção. Apoiamos quando somos chamadas e sabemos sair quando é hora de abrir espaço.