caminhos construídos na Jornada de Comunicação Popular e no Circuito Proteja Trilhas para Futuros é um registro vivo de uma caminhada construída junto a movimentos e organizações sociais que atuam na luta por terra e território. Nessa publicação reunimos parte do percurso que trilhamos entre 2023 e 2025, conectando experiências que fortalecem a comunicação popular, a cultura e o clima como dimensões de uma mesma prática política. Esses caminhos se articulam na organização coletiva das lutas, na afirmação dos modos de vida nos territórios e na disputa de futuro diante das crises que atravessam nosso tempo. Esse caminho ganhou forma a partir da Jornada de Comunicação Popular e do Circuito Proteja. Ao longo desse período, apoiamos encontros, planejamentos, campanhas, formações e ações de mobilização em diferentes territórios. O material compartilha aprendizados que nasceram da prática e da troca com quem está na linha de frente das lutas e são nossas
Relatório inédito da APIB revela como empresas, investidores e governos internacionais atuam junto a políticos e ao sistema de justiça no Brasil para abrir terras indígenas à mineração. Por Midori Hamada Há conflitos que dizem respeito a um país. Outros revelam um tempo histórico. A disputa em torno da mineração em terras indígenas no Brasil se insere nesse segundo caso. O que está em jogo vai além de uma uma controvérsia entre crescimento econômico e ações de proteção dos direitos territoriais e do meio ambiente. Trata-se da possibilidade de que a transição energética global, apresentada como resposta à crise climática, se converta em justificativa para uma nova rodada de roubos e invasões territoriais, agora revestida de linguagem técnica, alinhada com ambição geopolítica e promessas de futuro. No Brasil, essa mudança já aparece com força. Impulsionada pela corrida por minerais como lítio, níquel, cobre, cobalto e terras raras, usados em baterias,
Filme lançado no ATL 2026 transforma ficção em alerta sobre soberania e futuro O que acontece quando um país perde o controle sobre o próprio território? A pergunta é um dos pontos de partida do curta-metragem ‘Vitória Régia’. A resposta para essa pergunta é retratada em forma de ficção, mas com elementos que dialogam com o presente de forma direta. Lançado durante o Acampamento Terra Livre de 2026, o filme foi construído pelo Coletivo Zero em articulação com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e o G9 da Amazônia Indígena, uma coalizão internacional formada por lideranças dos nove países amazônicos. A obra apresenta um Brasil sob ditadura após um golpe de Estado. Nesse cenário, a Amazônia passa ao controle de interesses estrangeiros e recebe o nome de “Amazon of America”. A narrativa acompanha uma jornalista que atravessa a floresta
O protagonismo das mulheres e da comunicação popular indígena nas recentes vitórias sociais no Pará carrega a memória da Cabanagem e fortalece o sentido da mobilização política no Brasil. por Caio Mota No dia 23 de fevereiro deste ano, depois de 33 dias de intensa mobilização no oeste do Pará e de articulações que chegaram até Brasília, a pressão dos povos indígenas levou à derrubada do decreto federal que abria caminho para a privatização dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins. O presidente Lula anulou a medida e a decisão foi comunicada pela ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, e pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, após esse ciclo de mobilizações do movimento indígena. O governo reconheceu o erro de ter tomado uma decisão de grande impacto socioambiental sem promover debate público e, sobretudo, sem consultar as populações diretamente afetadas, como estabelece a Convenção 169 da Organização
Encontro nacional fortalece articulação de referências para o jornalismo no Brasil Entre os dias 26 de abril e 1º de maio de 2024, foi realizado o primeiro Encontro Nacional de Indígenas Jornalistas, organizado pela Articulação Brasileira de Indígenas Jornalistas (Abrinjor). A atividade marcou um momento importante para a comunicação no Brasil, reunindo jornalistas de diversas regiões do país e fortalecendo uma rede comprometida com a disputa de narrativas e o enfrentamento ao racismo na cobertura midiática sobre os povos indígenas. A Proteja foi chamada a somar nesse processo, contribuindo desde a preparação metodológica até a sistematização do encontro. Nosso papel esteve centrado no fortalecimento do debate sobre comunicação como estratégia política, garantindo um espaço de aprendizagem coletiva e de articulação entre diferentes gerações de comunicadores. Durante os dias de encontro, foram discutidos temas como ética jornalística, direitos de imagem, protocolos de cobertura e desafios da imprensa diante da diversidade dos
Construindo a estratégia da COAPIMA para fortalecer mobilizações e dar força à voz dos povos indígenas do Maranhão O ano de 2025 marcou um passo importante para a Coordenação das Organizações e Articulações dos Povos Indígenas do Maranhão (COAPIMA). Pela primeira vez, a organização reuniu sua equipe e lideranças em um encontro dedicado exclusivamente à comunicação. A atividade, realizada com apoio da Proteja, foi construída como um espaço de fortalecimento político e estratégico, com o objetivo de estruturar um plano de comunicação que dialogue diretamente com as lutas dos povos indígenas do Maranhão. A Proteja contribuiu com esse processo desde a preparação metodológica até a facilitação das atividades. A proposta foi trabalhada a partir de rodas de conversa, exercícios práticos e momentos de reflexão coletiva sobre a comunicação como ferramenta de luta. O encontro buscou organizar a comunicação como parte da organização política, capaz de sustentar mobilizações, fortalecer incidências e
Indígenas Mulheres organizam a palavra e conduzem a narrativa das mobilizações A comunicação de uma mobilização começa muito antes da ação na rua. Ela inicia quando os territórios decidem que vão se mover, e se movem. Planejar a comunicação de um evento político, especialmente em contextos indígenas, exige articulação, escuta e construção coletiva com quem estará colocando o corpo na rua e a palavra no ar. Foi com esse entendimento que, ao longo dos últimos anos, a Proteja atuou no apoio à comunicação de grandes mobilizações indígenas, com destaque para o Acampamento Terra Livre (ATL) e a Marcha das Indígenas Mulheres. Em ambos os casos, o compromisso foi o mesmo: garantir que a comunicação estivesse nas mãos dos próprios povos, com autonomia e estratégia. Na Marcha das Indígenas Mulheres, a construção da comunicação também seguiu essa orientação política de metodologia que construímos junto à APIB. Em 2023, durante a terceira
Fortalecendo a comunicação das mobilizações da APIB Em 2023, no 19º ATL, vivenciamos um momento histórico: pela primeira vez desde sua criação em 2004, a cobertura do acampamento foi liderada por comunicadores indígenas, indicados pelas sete organizações regionais que compõem a APIB. Foi a concretização de uma etapa da COMunidade, colocando em prática uma comunicação pensada e conduzida a partir dos territórios, por quem vive e constrói a luta. Em preparação ao 13º ATL realizamos, como uma etapa da Jornada de Comunicação Popular, uma formação coletiva e um planejamento nacional para garantir alinhamento político e organizativo entre as diversas frentes da comunicação. A experiência fortaleceu o ritmo e a sensibilidade da cobertura, agora feita pelas mesmas pessoas que vivem a realidade dos territórios. Essa organização liderada pela APIB foi feita sem abrir mão da estratégia já consolidada da cobertura colaborativa, que envolve comunicadores indígenas e não indígenas de diferentes partes
Nossa caminhada com a APIB nos ciclos de planejamentos de luta junto ao Fórum Nacional de Lideranças Indígenas. Ao longo dos últimos seis anos, nós da Proteja temos caminhado junto da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) em momentos decisivos de ação e planejamento da luta. Foram momentos em que o movimento indígena nacional escolheu parar e respirar fundo para refletir sobre seus próximos passos. Nosso papel nessas atividades foi apoiar a organização metodológica e política dos encontros, sem assumir a condução das lideranças indígenas. Quem conduz o processo é o Fórum Nacional de Lideranças Indígenas (FNLI), que é o espaço de decisão política da APIB que reúne representantes das sete organizações regionais da articulação. organizações regionais de base da APIB APIB, APOINME, ARPINSUDESTE, ARPINSUL, Aty Guasu, COIAB, Conselho do Povo Terena e Comissão Guarani Yvyrupa são as bases organizativas da APIB que conectam a mobilização indígena em todas
Planejamento realizado em Santarém reforça o papel histórico do Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns e aponta caminhos para enfrentar os novos desafios da luta territorial, da educação indígena e da defesa do rio Tapajós Entre os dias 11 e 15 de agosto de 2025, o Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns realizou, em sua sede em Santarém (PA), o primeiro Encontro de Planejamento Estratégico da organização. O momento reuniu lideranças de diferentes territórios, a coordenação da organização e referências históricas do movimento indígena do Baixo Tapajós. O objetivo era olhar para a própria trajetória, reconhecer os desafios atuais e organizar caminhos para fortalecer a atuação política do CITA nos próximos anos. Com 25 anos de história, o CITA se consolidou como uma das principais referências da luta indígena na Amazônia. Hoje, a organização representa 14 povos, distribuídos em 119 aldeias e 15 territórios nos municípios de Santarém, Belterra e Aveiro. Esse
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