Entre 1º e 24 de setembro, o Amazonas registrou mais de 3.200 focos de calor, um aumento de cerca de 250% em relação ao mesmo período de 2025.
No dia 22, Manaus chegou aos 38,6°C e bateu o recorde sufocante de temperatura, em 2026.
Nos dias 23 e 24, a qualidade do ar chegou a níveis “péssimo” e “muito insalubre”.
E nós somos obrigados a respirar e viver mais esse sufoco.
ESSA FUMAÇA TEM ORIGEM
Grande parte dos focos de calor está em municípios como Novo Aripuanã, Lábrea e Apuí, no sul do Amazonas, região pressionada pelo avanço do desmatamento.
Mas a fumaça que sufoca Manaus vem de diferentes frentes. Ela também tem origem em queimadas na Região Metropolitana, como em Iranduba, e em incêndios dentro da cidade.
Nos últimos dias, houve registros de incêndios em diferentes pontos da capital, como Parque das Tribos, São Raimundo e áreas próximas à Torquato Tapajós.
ESPECULAÇÃO DA TERRA E A EXPANSÃO DO AGRONEGÓCIO IMPULSIONAM O DESMATAMENTO ILEGAL
O arco do desmatamento no sul do Amazonas existe devido o avanço, principalmente, da pecuária que atrai pessoas de outros estados com mais dinheiro para comprar terras e ampliar a criação de gado. O preço da terra aumenta e parte dos pequenos proprietários vende suas áreas e segue para regiões onde a terra ainda é mais barata. É assim que novas frentes de desmatamento continuam avançando.
CRISE CLIMÁTICA E O SUPER EL NIÑO
É importante nomear de onde vem essa fumaça. Quando ela aparece apenas como “poluição”, a causa fica escondida e parece que o problema surgiu do nada.
Em 2026, esse cenário encontra condições climáticas ainda mais graves. O El Niño vem mais intenso. É o chamado super El Niño, que favorece temperaturas mais altas, redução das chuvas, agravamento da seca dos rios e condições para que o fogo, sobretudo aquele usado para ‘limpar’ áreas desmatadas, se espalhe com maior intensidade.
E esses impactos não chegam da mesma forma para todo mundo.
As pessoas que vivem nas periferias e em comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas sentem com mais intensidade as violências das invasões de seus territórios, do desmatamento, das queimadas, da fumaça e da seca dos rios. Esses impactos se somam às dificuldades de acesso à água potável, alimentos, transporte e serviços de saúde.
SUFOCAR AS PESSOAS DO AMAZONAS É UMA ESCOLHA POLÍTICA
O descaso com a vida dos amazonenses faz parte do projeto político do governo bolsonarista de Wilson Lima.
Jamais esqueceremos essa gestão durante a pandemia, que matou pessoas e segue incentivando a o avanço do desmatamento no estado.
A fumaça que chega aos nossos pulmões precisa entrar no debate público.
Responsabilizar quem provoca o desmatamento ilegal e cobrar políticas públicas de fiscalização e proteção da população também faz parte dessa conversa.
O AMAZONAS MERECE RESPIRAR
fontes dessa publicação: Bombeiros do Amazonas; ClimaInfo; COIAB; Defesa Civil de Manaus; INMET; MMA; Painel El Niño; Pedro Soares, Philip Fearnside e Gerd Sparovek (Amazônia Real); Programa Queimadas/INPE; Sistema Selva/UEA; Windy.