Momento de avaliação com os participantes da atividades junto da CPT
Foto: Caio Mota

Comunicação Popular e Resistência Amazônica

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Fortalecendo o Encontro de Comunicação das CPTs da Amazônia.

Desde 2017, a parceria entre a Proteja e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) vem sendo construída com base na escuta, no aprendizado e no compromisso com a luta por terra e dignidade. Essa relação começou em um contexto duro, o Massacre de Colniza, e desde então, consolidou-se como um espaço de confiança e construção coletiva entre quem comunica e quem resiste.

Em março de 2023, essa caminhada chegou a Santarém, no território indígena Borari, em Alter do Chão, com o primeiro Encontro de Comunicação das CPTs da Amazônia, onde conectamos nossa ação da Jornada de Comunicação Popular da Proteja. Reunindo coordenadores e comunicadores de oito regionais da CPT amazônica, o encontro “Unindo Vozes e Tecendo Redes Amazônidas” foi um marco para repensar o papel da comunicação popular nas lutas sociais na região.

Os dias 16 e 19 de março, foram intensos de diálogo franco e profundo, onde representantes de diferentes estados da Amazônia se reuniram para refletir sobre como fortalecer suas estratégias comunicacionais, compreendendo que comunicar não é apenas uma questão técnica ou estética, mas sobretudo uma tarefa essencialmente política. A maior parte dos participantes dessa atividade eram coordenadores da CPT.

O objetivo do encontro foi realizar uma atividade formativa sobre comunicação popular que envolvesse as regionais e a CPT Nacional. Para isso, o encontro buscou estabelecer diagnósticos locais sobre as práticas comunicacionais existentes, reconhecendo desafios e potencialidades das diferentes regiões amazônicas.

Nós entramos nesse processo como parceiros, convidados para compartilhar experiências anteriores e métodos que valorizam a comunicação popular como uma ferramenta essencial para fortalecer as lutas sociais, garantindo autonomia para quem luta. Nossa participação focou em promover um debate sobre comunicação popular que ressaltasse sua função política e mobilizadora, desmistificando a ideia de que é preciso competir com a velocidade das mídias tradicionais.

O encontro também promoveu oficinas práticas, como a produção radiofônica e o uso estratégico das redes sociais, com a colaboração de representantes da comunicação da APIB e da Rede de Notícias da Amazônia. Esses momentos ressaltaram o protagonismo das narrativas locais e o respeito às particularidades culturais e políticas da região amazônica.

Ao final, o encontro gerou um importante diagnóstico das necessidades comunicacionais das CPTs amazônicas, identificando de forma nítida, junto das coordenações, as prioridades para os próximos anos. Entre os encaminhamentos mais significativos estavam a criação de uma rede de comunicadores, a descentralização dos processos comunicacionais e o fortalecimento dos fluxos internos de informação e das comunicações das regionais.

Nossa contribuição está em um diálogo permanente com as coordenações presentes, garantindo que as ações propostas fossem alinhadas às necessidades reais das CPTs da Amazônia, fortalecendo redes e ampliando a capacidade coletiva de comunicação e incidência política. Essa experiência confirmou mais uma vez nossa compreensão de que a comunicação popular, construída com cuidado e respeito aos territórios e às trajetórias das comunidades, é essencial para o fortalecimento das lutas pela terra e pela vida.

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