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A Proteja nasce em 2015, em meio a um cenário marcado por emergências, violações e disputas profundas sobre a terra e os modos de vida. Desde o início, nossa caminhada se constrói em diálogo direto com os territórios. Entendemos que as emergências não surgem por acaso. Elas expressam um sistema que transforma a vida em mercadoria, concentra poder e insiste em chamar destruição de progresso. Esse sistema capitalista tem raízes coloniais, racistas e patriarcais, que seguem produzindo violência no campo e nas cidades. Ao longo desses dez anos, atravessamos diferentes contextos políticos, crises institucionais e o avanço de projetos que ameaçam bens comuns e modos de vida. Foi nesse cenário que fortalecemos nossa forma de atuar, com a certeza de que proteger é um ato político. Proteger significa fortalecer a organização coletiva, ampliar a autonomia dos povos e consolidar redes de solidariedade que sustentam a luta no cotidiano. Nossa atuação

Comunicação popular, cultura e clima no mesmo chão. Festival O Futuro se Faz em Luta! Seguimos em movimento Água e energia não são mercadoria! Leia e compartilhe o manifesto do festival ‘Nossa muvuca de sementes que cultivam futuros’

Reflexões sobre o papel da Comunicação Popular na disputa de sociedade. por Midori Hamada A comunicação sempre foi um eixo fundamental das disputas políticas, sociais e culturais. Desde os mitos que sustentaram impérios, passando pelas narrativas coloniais que justificaram invasões, até as versões impostas como oficiais da história que tentaram apagar povos inteiros, a disputa pelo mundo começa pela disputa da palavra e da percepção. Em qualquer época, comunicar também significa disputar o que é reconhecido como real, justo, desejável e possível. É disputar o imaginário.No contexto atual, marcado por desigualdades profundas, conflitos territoriais, hiperconexão digital e pela reorganização conservadora das forças políticas, essa disputa não desapareceu nem começou agora. Ela apenas se tornou mais visível, mais acelerada e mais difundida. Mas sua natureza é a mesma: quem não disputa o imaginário, deixa que outros definam o mundo através dele. Este texto reflete sobre quatro dimensões que nós da Proteja

A ameaça da crise climática e do descaso do poder público aos terreiros de religiões de matrizes africanas e a luta pela proteção desses territórios sagrados, em Manaus No mês em que o Brasil celebra a Consciência Negra e sediou a COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, um mapeamento inédito revelou uma ameaça direta aos terreiros de religiões de matrizes africanas, em Manaus. Muitos desses territórios sagrados estão instalados em áreas suscetíveis a deslizamentos e inundações. O levantamento, construído a partir de dados públicos, mostra que comunidades negras e de terreiro convivem com riscos altos em regiões marcadas por ocupações precárias, falta de infraestrutura e impactos que se intensificam com a crise climática. Esse cenário expressa o racismo ambiental e expõe como a cidade foi organizada de forma desigual, deixando populações inteiras sem proteção e sem acesso a políticas de adaptação. A investigação foi publicada no boletim

O papel do ‘Até o Tucupi 2024, Festival pelo Clima’ no enfrentamento da crise climática em um dos estados mais impactados pelas mudanças do clima. De 20 a 30 de novembro, Manaus transformou-se em um espaço de resistência, conexão e mobilização com a realização do ‘Até o Tucupi 2024, Festival pelo Clima’. Em um dos estados mais impactados pela crise climática no Brasil, o evento reafirmou a cultura como ferramenta de transformação social e ambiental. Contando com 62 grupos e movimentos envolvidos em 27 atividades culturais e políticas espalhadas por toda a cidade, o festival, em sua décima sétima edição, consolidou-se como uma plataforma que transcende a celebração artística, promovendo debates e mobilizações em prol da justiça social e climática. Inspirado pela pedagogia de Paulo Freire, que defendia a cultura como um processo dinâmico e coletivo para desnaturalizar opressões e transformar desigualdades, o festival materializou essa visão ao reunir vozes

Fortalecendo o Encontro de Comunicação das CPTs da Amazônia. Desde 2017, a parceria entre a Proteja e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) vem sendo construída com base na escuta, no aprendizado e no compromisso com a luta por terra e dignidade. Essa relação começou em um contexto duro, o Massacre de Colniza, e desde então, consolidou-se como um espaço de confiança e construção coletiva entre quem comunica e quem resiste. Em março de 2023, essa caminhada chegou a Santarém, no território indígena Borari, em Alter do Chão, com o primeiro Encontro de Comunicação das CPTs da Amazônia, onde conectamos nossa ação da Jornada de Comunicação Popular da Proteja. Reunindo coordenadores e comunicadores de oito regionais da CPT amazônica, o encontro “Unindo Vozes e Tecendo Redes Amazônidas” foi um marco para repensar o papel da comunicação popular nas lutas sociais na região. Os dias 16 e 19 de março, foram

Construindo estratégias de incidências na agenda climática junto com a COIAB. Em 2024, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) convidou a Proteja a construção de uma estratégia robusta de comunicação e incidência sobre as pautas climáticas para os anos de 2024 e 2025. Reunindo lideranças e comunicadores indígenas dos nove estados amazônicos, realizamos o Encontro e Planejamento Estratégico de Comunicação da Agenda Climática em julho de 2024, em Manaus. Vale destacar que nossa relação com a COIAB teve início em 2009, antes mesmo de existirmos como organização sob o nome Proteja. Essa conexão se fortaleceu a partir de 2016, já no contexto da atuação da Proteja. Nossa relação com a COIAB é antiga. Começou em 2009, ainda antes de existirmos como Proteja, e se aprofundou a partir de 2016. Nesse percurso, aprendemos muito com lideranças que marcaram a comunicação indígena. Entre elas, Délio Alves, do povo Dessana,

A jornada de fortalecimento da Comunicação da Univaja. Nossa relação com a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) começou em um dos momentos mais duros da história recente do território. Em junho de 2022, após o assassinato de Bruno Pereira e Dom Phillips, a Univaja se viu diante de uma emergência que ampliou de forma abrupta a demanda por comunicação, incidência e articulação política. Chegamos nesse contexto para somar na organização das informações, enfrentar desinformações, estruturar fluxos e apoiar a governança comunicacional. Foi a partir desse processo, marcada por dor, ameaças e responsabilidade política, que construímos um vínculo de confiança que mais tarde abriria caminho para um processo mais amplo e estruturado de fortalecimento estratégico. Em 2023, foi realizado um encontro de formação em comunicação popular, na sede da Univaja, no município de Atalaia do Norte, Amazonas, envolvendo comunicadores indígenas que já haviam participado de iniciativas anteriores

O processo de fortalecimento da Dace na gestão do território Munduruku. A relação da Proteja com a Associação Indígena Dace nasce do compromisso comum com a defesa do território Munduruku no Baixo Teles Pires. Desde 2015, acompanhamos de perto a luta do povo Munduruku contra hidrelétricas, invasões e violações que atingem diretamente suas vidas, seus bens sagrados e seus modos de existir. Ao longo desses anos, construímos uma parceria baseada em confiança e presença contínua, sempre com a intenção de fortalecer a autonomia da Dace e ampliar sua capacidade organizativa. Em 2023, a Dace expressou o desejo de avançar em sua própria estrutura de gestão, buscando mais autonomia para conduzir projetos, organizar demandas internas e planejar o futuro da associação. A partir desse interesse, apoiamos a elaboração e captação do projeto de Fortalecimento Institucional, financiado pelo Fundo Casa e pela Embaixada da Noruega. A proposta foi pensada para fortalecer a