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Cultura na resposta da crise climática O Festival Até o Tucupi chegou à sua 18ª edição em 2024, consolidando-se como um dos mais importantes encontros de cultura e mobilização política na Amazônia. Realizado em Manaus entre 20 e 30 de novembro, o festival promoveu 27 atividades que reuniram 62 grupos e mobilizaram diretamente cerca de 10 mil pessoas, além de alcançar quase meio milhão nas redes sociais. Foram mais de 230 artistas e mobilizadores sociais envolvidos, reafirmando a cultura como ferramenta central na luta por justiça climática e social. A Proteja já havia somado em edições anteriores do festival com parcerias pontuais, mas em 2024, a convite da coordenadora Elisa Maia, do Coletivo Difusão, integrou de forma plena a co-realização da iniciativa. Nosso papel foi múltiplo. Mobilizar parcerias, articular recursos, elaborar a proposta política, colaborar na organização de equipes e curadorias, somar na produção e no desenvolvimento do site, além

A sabedoria e resiliência das comunidades locais, povos indígenas e quilombolas devem ser nosso guia! A crise climática não é uma ameaça distante, mas uma realidade que já afeta a vida de milhões de pessoas. Enchentes, secas, queimadas e outros desastres se repetem e escancaram a urgência de enfrentar esse desafio. Os mais impactados são sempre os que menos contribuem para o agravamento da crise: povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e periféricas. Populações que há séculos resistem ao avanço de um sistema colonialista e desigual, e que seguem sendo excluídas dos espaços de decisão sobre o futuro do planeta. Esses povos são guardiões de práticas e saberes fundamentais para a proteção da terra, das águas e da vida. São eles que demonstram, com sua própria existência, caminhos para adaptação e mitigação da crise climática. Ignorar essas vozes é perpetuar o colonialismo. Não existe justiça climática sem o enfrentamento às desigualdades

Construindo estratégias de incidências na agenda climática junto com a COIAB. Em 2024, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) convidou a Proteja a construção de uma estratégia robusta de comunicação e incidência sobre as pautas climáticas para os anos de 2024 e 2025. Reunindo lideranças e comunicadores indígenas dos nove estados amazônicos, realizamos o Encontro e Planejamento Estratégico de Comunicação da Agenda Climática em julho de 2024, em Manaus. Vale destacar que nossa relação com a COIAB teve início em 2009, antes mesmo de existirmos como organização sob o nome Proteja. Essa conexão se fortaleceu a partir de 2016, já no contexto da atuação da Proteja. Nossa relação com a COIAB é antiga. Começou em 2009, ainda antes de existirmos como Proteja, e se aprofundou a partir de 2016. Nesse percurso, aprendemos muito com lideranças que marcaram a comunicação indígena. Entre elas, Délio Alves, do povo Dessana,

A jornada de fortalecimento da Comunicação da Univaja. Nossa relação com a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) começou em um dos momentos mais duros da história recente do território. Em junho de 2022, após o assassinato de Bruno Pereira e Dom Phillips, a Univaja se viu diante de uma emergência que ampliou de forma abrupta a demanda por comunicação, incidência e articulação política. Chegamos nesse contexto para somar na organização das informações, enfrentar desinformações, estruturar fluxos e apoiar a governança comunicacional. Foi a partir desse processo, marcada por dor, ameaças e responsabilidade política, que construímos um vínculo de confiança que mais tarde abriria caminho para um processo mais amplo e estruturado de fortalecimento estratégico. Em 2023, foi realizado um encontro de formação em comunicação popular, na sede da Univaja, no município de Atalaia do Norte, Amazonas, envolvendo comunicadores indígenas que já haviam participado de iniciativas anteriores

O processo de fortalecimento da Dace na gestão do território Munduruku. A relação da Proteja com a Associação Indígena Dace nasce do compromisso comum com a defesa do território Munduruku no Baixo Teles Pires. Desde 2015, acompanhamos de perto a luta do povo Munduruku contra hidrelétricas, invasões e violações que atingem diretamente suas vidas, seus bens sagrados e seus modos de existir. Ao longo desses anos, construímos uma parceria baseada em confiança e presença contínua, sempre com a intenção de fortalecer a autonomia da Dace e ampliar sua capacidade organizativa. Em 2023, a Dace expressou o desejo de avançar em sua própria estrutura de gestão, buscando mais autonomia para conduzir projetos, organizar demandas internas e planejar o futuro da associação. A partir desse interesse, apoiamos a elaboração e captação do projeto de Fortalecimento Institucional, financiado pelo Fundo Casa e pela Embaixada da Noruega. A proposta foi pensada para fortalecer a

Uma história única de um filme repetido Em 2024, o projeto da hidrelétrica de Castanheira ainda fazia parte dos planos federais de energia, mesmo após a mudança de governo. Para os povos, comunidades e organizações da bacia do Juruena, isso significava a continuidade de uma ameaça que se arrastava havia anos. Foi nesse contexto que nasceu o documentário Arinos: uma história única de um filme repetido, lançado em agosto de 2024 como parte da campanha de enfrentamento à UHE Castanheira. A Proteja esteve ao lado do Movimento dos Atingidos por Barragens de Mato Grosso (MAB/MT) em todas as etapas da construção do filme. No planejamento político da proposta, na mobilização das pessoas envolvidas, na produção e gravação, na direção, roteiro e montagem, além da organização de conteúdos, do plano de divulgação e do desenvolvimento do site. O documentário foi pensado como ferramenta de formação política e mobilização popular. Por isso

Trajetória da Proteja para formar, informar e mobilizar A Jornada de Comunicação Popular faz parte da trajetória da Proteja. Ela não nasce do nada. Como o próprio nome sugere, é uma caminhada de aprendizados a partir de diferentes experiências no campo da comunicação popular para fortalecer organizações sociais na luta por Terra, Território e Modos de Vida. Ao longo da nossa trajetória, desenvolvemos planos e planejamentos de comunicação e, com isso, fomos consolidando metodologias para que a comunicação seja um elo central no fortalecimento organizacional. A partir de 2023, passamos a dar o nome de Jornada a essa sequência de ações estratégicas em comunicação que vínhamos realizando. A proposta se baseia em promover encontros, não em oferecer um curso ou oficina com fórmulas prontas. Cada atividade é única, porque cada grupo é diferente. Partimos da escuta das organizações, de suas realidades e necessidades, para apoiar a criação de estratégias conectadas

Quando o mundo foi obrigado a parar, mas a luta não Em março de 2020, o mundo inteiro parou. Fronteiras fecharam e, quem pôde, se isolou para tentar salvar vidas diante da maior crise sanitária e humanitária da nossa geração, depois da pandemia do HIV. Mas, para os povos indígenas no Brasil, não foi só a Covid-19 que se espalhou. Havia outro vírus em curso: o da política de morte do governo Bolsonaro. Era como se duas pandemias acontecessem ao mesmo tempo: a do coronavírus e a do genocídio institucional. Foi nesse cenário que fomos chamadas para uma das ações mais desafiadoras da nossa história: apoiar a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) na construção de uma resposta emergencial que pudesse salvar vidas e, ao mesmo tempo, fortalecer a luta dos povos indígenas. A APIB, articulação que reúne as principais organizações indígenas do país, precisava de uma estrutura de

Plataforma de informação e mobilização pelo rio Teles Pires Teles Pires Resiste é uma plataforma de campanha para informar e mobilizar a luta em defesa das pessoas que vivem na região do rio Teles Pires. Ela nasce e caminha junto das lutas coletivas iniciadas em 2010 pelo Fórum Teles Pires, do qual A Proteja faz parte. Lançada em setembro de 2022, quando ainda nos chamávamos ‘Coletivo Proteja’, a plataforma dá nitidez às violações existentes no território, especialmente às ligadas ao complexo de hidrelétricas do rio e às empresas que às operam. Ao reunir denúncias, dados e memória das mobilizações, soma forças à organização comunitária e ao engajamento de quem vive na região que abrange municípios entre os estados de Mato Grosso e Pará. O site organiza e publica informações que fizeram parte do monitoramento independente e participativo mantido pelo Fórum desde 2017. Esse monitoramento surge como resposta aos impactos das

Cultura, clima, Manaus, periferia e Amazônias no trabalho da artista, produtora e mobilizadora Elisa Maia “Quem bota fé que a COP vai mudar alguma coisa?” A pergunta de Elisa Maia, artista e produtora amazonense, ecoou no calor sufocante de Manaus, há um ano, em setembro de 2024, quando a cidade ardia sob a fumaça de mais de 20 mil focos de queimadas. Não foi uma frase solta. Ela virou guia da programação do festival Até o Tucupi, que Elisa coordena, e reafirmou a potência da cultura como parte da resposta à crise climática. Também foi um grito nascido da realidade de mais de 700 mil pessoas atingidas pela seca extrema no estado, enquanto discursos oficiais transformavam a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), prevista para novembro de 2025, em Belém, numa promessa de salvação que nunca chega. Pouco mais de um ano depois desse questionamento, em 19