Caio Mota

Planejamento realizado em Santarém reforça o papel histórico do Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns e aponta caminhos para enfrentar os novos desafios da luta territorial, da educação indígena e da defesa do rio Tapajós Entre os dias 11 e 15 de agosto de 2025, o Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns realizou, em sua sede em Santarém (PA), o primeiro Encontro de Planejamento Estratégico da organização. O momento reuniu lideranças de diferentes territórios, a coordenação da organização e referências históricas do movimento indígena do Baixo Tapajós. O objetivo era olhar para a própria trajetória, reconhecer os desafios atuais e organizar caminhos para fortalecer a atuação política do CITA nos próximos anos. Com 25 anos de história, o CITA se consolidou como uma das principais referências da luta indígena na Amazônia. Hoje, a organização representa 14 povos, distribuídos em 119 aldeias e 15 territórios nos municípios de Santarém, Belterra e Aveiro. Esse

Memórias do amanhã: A luta por territórios, clima e cultura que brota de SINOP O futuro é uma semente que se planta no presente, com as mãos da luta e solidariedade. Não precisa ser uma promessa distante. O Festival “O Futuro Se Faz em Luta” emergiu em outubro de 2025 no coração da Amazônia Mato-grossense como um ato político de resistência. Um chamado urgente para reunir as forças que, nos territórios, insistem em construir um amanhã possível frente à destruição do capitalismo com o agronegócio, as hidrelétricas, os grandes projetos de infraestrutura e do agravamento da crise climática. Sinop, um município que é epicentro dessa disputa, se transformou no palco fundamental dessa disputa de sociedade. Aqui, onde a fumaça das queimadas e do veneno sufocam e o lago da UHE Sinop escancara cicatrizes de um desenvolvimento que exclui, a mobilização popular se ergueu como ato de esperança. O festival foi

A Proteja nasce em 2015, em meio a um cenário marcado por emergências, violações e disputas profundas sobre a terra e os modos de vida. Desde o início, nossa caminhada se constrói em diálogo direto com os territórios. Entendemos que as emergências não surgem por acaso. Elas expressam um sistema que transforma a vida em mercadoria, concentra poder e insiste em chamar destruição de progresso. Esse sistema capitalista tem raízes coloniais, racistas e patriarcais, que seguem produzindo violência no campo e nas cidades. Ao longo desses dez anos, atravessamos diferentes contextos políticos, crises institucionais e o avanço de projetos que ameaçam bens comuns e modos de vida. Foi nesse cenário que fortalecemos nossa forma de atuar, com a certeza de que proteger é um ato político. Proteger significa fortalecer a organização coletiva, ampliar a autonomia dos povos e consolidar redes de solidariedade que sustentam a luta no cotidiano. Nossa atuação

Comunicação popular, cultura e clima no mesmo chão. Festival O Futuro se Faz em Luta! Seguimos em movimento Água e energia não são mercadoria! Leia e compartilhe o manifesto do festival ‘Nossa muvuca de sementes que cultivam futuros’

Reflexões sobre o papel da Comunicação Popular na disputa de sociedade. por Midori Hamada A comunicação sempre foi um eixo fundamental das disputas políticas, sociais e culturais. Desde os mitos que sustentaram impérios, passando pelas narrativas coloniais que justificaram invasões, até as versões impostas como oficiais da história que tentaram apagar povos inteiros, a disputa pelo mundo começa pela disputa da palavra e da percepção. Em qualquer época, comunicar também significa disputar o que é reconhecido como real, justo, desejável e possível. É disputar o imaginário.No contexto atual, marcado por desigualdades profundas, conflitos territoriais, hiperconexão digital e pela reorganização conservadora das forças políticas, essa disputa não desapareceu nem começou agora. Ela apenas se tornou mais visível, mais acelerada e mais difundida. Mas sua natureza é a mesma: quem não disputa o imaginário, deixa que outros definam o mundo através dele. Este texto reflete sobre quatro dimensões que nós da Proteja

A ameaça da crise climática e do descaso do poder público aos terreiros de religiões de matrizes africanas e a luta pela proteção desses territórios sagrados, em Manaus No mês em que o Brasil celebra a Consciência Negra e sediou a COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, um mapeamento inédito revelou uma ameaça direta aos terreiros de religiões de matrizes africanas, em Manaus. Muitos desses territórios sagrados estão instalados em áreas suscetíveis a deslizamentos e inundações. O levantamento, construído a partir de dados públicos, mostra que comunidades negras e de terreiro convivem com riscos altos em regiões marcadas por ocupações precárias, falta de infraestrutura e impactos que se intensificam com a crise climática. Esse cenário expressa o racismo ambiental e expõe como a cidade foi organizada de forma desigual, deixando populações inteiras sem proteção e sem acesso a políticas de adaptação. A investigação foi publicada no boletim

Organizações denunciam na ONU contra o complexo de hidrelétricas no rio Teles Pires. O rio Teles Pires vive uma situação grave que afeta milhares de pessoas que vivem na região. A denúncia apresentada, no dia 13 de outubro de 2025, pelo Movimento dos Atingidos por Barragens de Mato Grosso (MAB/MT), o Instituto Coletivo Proteja, a Associação Indígena DACE, do povo Munduruku que vive no baixo rio Teles Pires, e pelo Fórum Popular Socioambiental de Mato Grosso (Formad), reúne relatos, documentos e avaliações técnicas que mostram um risco real ligado à Usina Hidrelétrica de Colíder e aos impactos do conjunto de barragens construídos ao longo do Teles Pires. O conteúdo expõe danos ao território, à água, aos peixes, à segurança das pessoas e aos lugares sagrados do povo Munduruku. Também mostra como a falta de diálogo e de informação deixa as comunidades em alerta permanente. A publicação destaca por que essa

O papel do ‘Até o Tucupi 2024, Festival pelo Clima’ no enfrentamento da crise climática em um dos estados mais impactados pelas mudanças do clima. De 20 a 30 de novembro, Manaus transformou-se em um espaço de resistência, conexão e mobilização com a realização do ‘Até o Tucupi 2024, Festival pelo Clima’. Em um dos estados mais impactados pela crise climática no Brasil, o evento reafirmou a cultura como ferramenta de transformação social e ambiental. Contando com 62 grupos e movimentos envolvidos em 27 atividades culturais e políticas espalhadas por toda a cidade, o festival, em sua décima sétima edição, consolidou-se como uma plataforma que transcende a celebração artística, promovendo debates e mobilizações em prol da justiça social e climática. Inspirado pela pedagogia de Paulo Freire, que defendia a cultura como um processo dinâmico e coletivo para desnaturalizar opressões e transformar desigualdades, o festival materializou essa visão ao reunir vozes

Fortalecendo o Encontro de Comunicação das CPTs da Amazônia. Desde 2017, a parceria entre a Proteja e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) vem sendo construída com base na escuta, no aprendizado e no compromisso com a luta por terra e dignidade. Essa relação começou em um contexto duro, o Massacre de Colniza, e desde então, consolidou-se como um espaço de confiança e construção coletiva entre quem comunica e quem resiste. Em março de 2023, essa caminhada chegou a Santarém, no território indígena Borari, em Alter do Chão, com o primeiro Encontro de Comunicação das CPTs da Amazônia, onde conectamos nossa ação da Jornada de Comunicação Popular da Proteja. Reunindo coordenadores e comunicadores de oito regionais da CPT amazônica, o encontro “Unindo Vozes e Tecendo Redes Amazônidas” foi um marco para repensar o papel da comunicação popular nas lutas sociais na região. Os dias 16 e 19 de março, foram

UM GRITO PELO CLIMA O Amazonas vive o impacto cruel da crise climática. Secas severas comprometem a subsistência de comunidades inteiras, rios atingem níveis históricos de baixa, e a fumaça das queimadas torna o ar irrespirável. Em 2024, mais de 747 mil pessoas foram diretamente afetadas pela estiagem, com 24.700 pontos de queimadas registrados no estado. A cidade de Manaus sofre com níveis alarmantes de poluição e a ausência de políticas públicas que enfrentem essa realidade. Nós não esquecemos! Manaus foi o lugar que sufocou sem oxigênio. Durante a pandemia da Covid-19, vimos nossa gente morrer não pela falta de cura, mas pela falta de ar, pela negligência criminosa e pela ausência de políticas públicas. O Amazonas foi palco de um assassinato em massa. Não podemos enterrar essa memória. Precisamos lembrar para que jamais se repita, para que os responsáveis sejam punidos e para que nossos mortos tenham justiça. Adaptação